Prefeitura de Iúna faz avaliação de local onde aconteceu avalanche de pedras
Técnicos da Prefeitura confirmaram avaliação feita por especialista e não descartam que mais pedras podem se soltar da formação rochosa e atingir casas
Uma equipe da Prefeitura de Iúna esteve na comunidade de Laranja da Terra, nesta quarta-feira (22), para avaliar os riscos de novas avalanches de pedras da formação rochosa próxima a residências na zona rural. Duas famílias de produtores rurais precisaram deixar suas residências, depois que pedras se soltaram e atingiram o terreiro e até a varanda de uma das casas, na segunda-feira (20).
Na ocasião, ninguém ficou ferido, mas o secretário municipal de Meio Ambiente, Manoel Arcangelo Gomes, que esteve com equipe da Prefeitura no local, nesta quarta-feira, disse que existe o risco de mais pedras se soltarem da formação rochosa, o que coloca em risco a vida dos moradores de casas próximas. Principalmente, uma que fica logo abaixo da rocha e que foi atingida, na segunda-feira, por pedras e por grande quantidade de pó que cobriu tudo no local.
O secretário confirmou o que havia sido explicado pelo engenheiro ouvido pela reportagem da Notícia do Caparaó, em matéria anterior. Segundo o secretário Manoel Gomes, houve um descolamento de uma parte superior da rocha, que não possui cobertura vegetal, o que dificulta a realização de qualquer tipo de prevenção ou contenção. "Infelizmente, existe uma casa bem próxima à rocha, o que não é um local apropriado, e os moradores – que estão em casas de parentes – terão que deixar a casa, porque novas avalanches podem acontecer, já que a pedra está descolando uma camada, o que é processo normal que acontece na natureza", esclarece.
Acebolamento
Conforme afirmou o engenheiro de Minas, Rhaysnner Dias de Moura Gonçalves, em reportagem anterior, esse fenômeno é chamado de "acebolamento", quando o calor dilata a rocha e escama a parte mais externa. "Como essa pedra fica à mercê das condições climáticas, chuva e sol, frio e calor, a tendência é essa camada mais superficial ir sofrendo alterações que a fragilizam, podendo levar a esse descolamento", explica. "O ideal é orientar a população a não ficar nas proximidades, porque pode ser que venha a descolar mais", completa.
A formação rochosa fica a, mais ou menos, 400m da casa do produtor Weverson Werner, 35 anos, que está alojado na casa do sogro, com a esposa e os três filhos, desde a manhã de segunda-feira. Além de ter vivido momentos assustadores, as pedras destruíram, aproximadamente, 1.500 pés de café de sua propriedade. "Desde sexta-feira (17), começou a cair muita pedra, até que, ontem (segunda-feira), por volta das 5 horas, desabou de vez. Foi um susto muito grande, a casa tremeu, veio pedaço de pedra na minha varanda ", relata.
Um outro produtor, vizinho de Weverson, que mora um pouco mais distante da formação rochosa também precisou sair da localidade. E o deslizamento de pedras já vinha acontecendo há, mais ou menos, um ano, depois dos moradores terem ouvido um estrondo vindo da rocha. Depois, a quantidade de pedras rolando e o tamanho foi aumentando, até acontecer a verdadeira avalanche de segunda-feira.
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